Asseva


Eles não têm razão,

Disso estou certa.

Mas talvez...

Talvez a razão seja peça inconstante de um quebra-cabeça mutável, 

Quiçá inexistente.


Seria meu cérebro capaz de criar uma ilusão tão real?

Miragem tangível.

Loucura.


Não!

A loucura não existe.

É sinônimo de fuga, criado por fracos.

Um cômodo meio de pensar sem culpa.


Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 22h11
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Grito Mudo

Filtro palavras;
Tranco suspiros;
Omito verdades;
De ti, esquivo.

Não sei se é medo o que em mim grita NÃO
Ou, se é a pesada asa,
Que enquanto eleva-me aos céus,
Puxa-me com força em direção ao chão.

E assim, entre o devaneio e o concreto,
Decidi te esquecer.
Fraquejei.
Não deu certo.

Agora,
Que já não encontro saída,
Vejo-me desarmada,
Entregue à tua utopia.

E embora tente,
Nunca direi o que de fato grita em meu ser.
Pois concluo não ser verbalizável
Essa força que obriga-me o querer.

Julieta Garcia

 

Postado por Julieta Garcia às 00h47
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A piada era boa.

Se um homem burro não entende uma piada, culpa o palhaço.
E quando toda a plateia é burra?
O palhaço é linchado.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 00h10
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Ceci n'est pas une pomme

Estou fadada ao meu rosto.
Ele insiste em ser seu,
Embora eu não o seja.

Não me ame de olhos abertos.
Sou invisível.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 11h30
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Poema sonolento

Com a mente cansada,
Tento fazer poesia.
Caneta, papel e eu.
Frio, sono e teimosia.

Escrevo e cochilo
Entre um verso e outro.
Terminar tudo que começo:
Mais um capricho bobo!

Grito aos meus olhos:
_Resistam, logo concluirei!
Intentando dizer algo
parafraseio o que já falei.

Lacrimejo, mas não desisto
De concluir este poema.
Essa é minha atual meta de vida.
Não... Não é uma meta pequena!

A felicidade é um sopro
de efêmero contentamento.
Pois eis aqui minha felicidade:
O fim desse tormento.

Preparo-me para largar a caneta
E pegar o que é meu por direito:
Sensação de dever cumprido;
Medalha pregada no peito.

Finalmente, a última estrofe!
Já não me aguentava mais!
Entrego-me aos braços do sono.
Fortes braços, guardiões da pazZzzZZ.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 21h12
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A Cor do Invisível 

Tenho quatro olhos.
Dois visíveis, dois não.
Dois estão pregados na cara.
Dois estão no alto, no salto, no chão.

Com dois olhos sou isso,
O que todos podem ver.
Com os outros dois sou aquilo
Que com os primeiros não sei ser.

Se arrancam-me dois olhos não vejo
Os rostos, paredes e cadeados.
Mas cega de tudo não fico,
Pois os olhos da alma não podem ser arrancados.

Postado por Julieta Garcia às 00h03
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Útil

Por ser poeta, lido serena
com os incômodos espinhos da flor.
Traiu-me um ser de alma pequena.
Lucrei com ele cinco poemas de amor.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 00h06
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O Beijo


Dei cambalhotas na lua;
Toquei o rosto de Deus;
Colori de flores a rua,
Com meus lábios colados aos seus.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 12h01
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Eu

Um segundo, um sopro.
O tudo e o nada.
Um objeto movendo-se em direção à coisa nenhuma, uma alma presa dentro de um objeto.
Fazendo muitas perguntas, carente de uma só resposta.
Vivendo ciente da morte, morrendo ciente da vida.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 18h52
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O velho e o tolo

Nascido em berço nenhum,
o desgraçado homem sobrevivia.
Tinha um hábito incomum:
levantava-se antes do dia.

Revirava sacolas e latões
em busca de alimento.
Acordar antes dos cães
garantia seu sustento.

Em uma dessas madrugadas,
no meio do lixo encontrou um tesouro:
um saco de moedas douradas
- um saco de moedas de ouro.

Saiu dalí correndo,
abraçando as moedas ao peito.
Tinha as mãos tremendo
e mal respirava direito.

Temia o passado daquilo
que agora tinha como seu.
Teria ele um destino tranquilo?
Seria rei, e não mais plebeu?

Levou seu segredo ao mercado
e perguntou a um velho o quanto valia.
O velho mirou-o entediado,
alegando o ouro ser de mentira.

O homem, entristecido,
jogou as moedas ao chão e foi-se embora.
O velho ficou rico
graças ao ouro que um tolo jogou fora.

O tolo deu cabo da própria vida
ao descobrir que o velho fez-se nobre.
Sábio não é aquele que acredita,
mas o que descobre.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 18h17
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Diálogo

_ Posso fazer uma crítica construtiva?
_ Sim.
_ Não ficará ofendida?
_ Se ofender-me, vou!
_ Não, não vou ofendê-la. Quer ouvir?
_ Diga!
_ Que vidinha mais sem graça essa sua!
_ É?
_ Sim. Você não vai à festas; não bebe; não fica; não curte zuar com a galera. Não vive a vida! Fica aí perdendo o tempo com coisas chatas!
_ Acredita mesmo que não vivo a vida?
_ Não, você vive. Mas deveria vivê-la com mais intensidade!
_ É o que faço.
_ Tá. Esqueça!
_ Creio que o que chama de intensidade, chamo de desperdício de energia.
_ Claro que não! É aproveitar a vida ao máximo, porque ela é muito curta.
_ Justamente. Mas não considero uma postura tão proveitosa a que aconselha-me adotar.
_ Sério Srta. Einsten?
_ Não é preciso ser um gênio para chegar a essa conclusão. Sou um ser humano com capacidade racional (você também, sabia?). Prazeres efêmeros não satisfazem minha alma. Preciso de mais, muito mais!
_ Assim está ofendendo-me!
_ Refere-se à observação sobre sua capacidade racional?
_ Sim.
_ Foi só uma crítica construtiva.

Postado por Julieta Garcia às 21h35
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Ana

Pobre Ana dos atos contidos!
Vive do eco de dias vividos.

Pobre Ana da fala tremida!
Fugindo da culpa, culpa a vida.

Pobre Ana que nunca diz não!
Fraco e tolo é seu coração.

Pobre Ana! Ainda espera.
Múmia chorona, agarrada à janela.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 00h12
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O léxico e a Lagartixa

_Sou Lagartixa. Sonho em tornar-me Borboleta; voar alto, bem alto; beijar os lábios do Sol e casar-me com ele. Dizem que meu sonho é impossível, mas esses pessimistas se apegam muito a detalhes; se no lugar de "ixa" meu nome levasse um "a", eles diriam: "não desista de seu sonho Lagarta, um dia se tornará Borboleta, encontrará com o Sol e viverá feliz para sempre." Mas não me renderei a esses estraga-prazeres; amanhã mesmo vou ao cartório, trocar o "ixa" pelo "a". Assim, nunca mais se atreverão a chamar meu sonho de quimera.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 12h09
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O Eu que sorri à mim.

Mergulhada até o pescoço
Em um mar de um devaneio roto.

Sonhando um sonho sem eco,
De olhos fechados e peito aberto.

E eis que não sei de onde,
Vejo-me vindo de bonde.

E pergunto-me espantada:
_Se aquela vindo sou Eu, quem é esta, aqui parada?

Eu, andando em minha direção, olho-me sorrindo.
E o Eu que chega, diz adeus ao Eu partindo.

Esse novo Eu, que já foi meu outrora,
Ao enamorar-se de um qualquer, juntou as malas e foi-se embora.

Agora, de volta ao lugar que era seu,
Sente-se de novo tudo aquilo que um dia fui Eu.

O Eu, que pensava sonhar o tempo inteiro,
Nem notou nutrir-se de um pesadelo.

E hoje, o Eu que não deixa-se sonhar é capaz de dizer
Que, ao decidir cessar o sonho, cessou também seu sofrer.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 16h12
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Efêmeros Humanos

O tempo grita pela garganta do relógio:
"Tic - tac (mais um segundo meu, menos um seu)!
"Tic - tac (mais um segundo meu, menos um seu)!
"Tic - tac (mais um segundo meu, menos um seu)..."

Enganam-se os crentes do tempo que passa.
Ele não passa,
Somos nós que passamos.

Julieta Garcia

Postado por Julieta Garcia às 09h56
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Meu Perfil

Julieta Garcia, 17 anos, Governador Valadares - MG.

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